Receita de Lepinja

fonte: Specikruh

fonte: Specikruh

A lepinja (pronuncia-se “lêpinha”) é um tipo de pão redondo e achatado, parecido com o que no Brasil se conhece às vezes como “pão italiano”. Mas é uma receita típica e tradicional dos Bálcãs ocidentais (a antiga Iugoslávia), especialmente Sérvia, Bósnia e Croácia.

Esta receita é uma mescla média de várias receitas distintas.

INGREDIENTES

8 xícaras de farinha de trigo

1 colher de sopa de açúcar

1 colher de sopa de sal

1 xícara de água morna (aquecida a 45º C)

1 xícara de leite morno (aquecido a 45º C)

1 pacote de fermento biológico seco (7g)

manteiga para untar

azeite

MODO DE PREPARO

Salpique o fermento sobre o leite morno em uma tigela.

Com suas mãos, adicione aos poucos a farinha, o açúcar e a água morna em uma bacia grande. Por último, acrescente o sal. Misture até a massa ficar homogênea. Deve ficar grudenta e mais grossa que massa de bolo. Não sove e reserve.

Cubra a massa e deixe descansar até dobrar de tamanho em temperatura ambiente – por 45 minutos (em lugares quentes) ou de 4 a 10 horas (em lugares frios)

Unte duas formas e salpique com a farinha. Amasse e desestufe a massa, pressionando com a palma da mão. Borrife azeite sobre a massa. Sove por cerca de 5 minutos.

Cubra de volta e deixe descansar em temperatura ambiente por mais meia hora (em lugares quentes) ou uma hora (em lugares frios).

Desestufe a massa de novo e passe para uma superfície enfarinhada ou coberta com papel-manteiga. Sove a massa suavemente. Molde a massa em um círculo. Faça sulcos em “xadrez” na parte de cima. Deixe descansar para crescer por uma e última terceira vez, por 15 minutos.

Pré-aqueça o forno a 200 graus.

(Ou então ponha as formas na grelha central de um forno frio, ligue até 250 graus e asse a massa. Depois de meia hora, reduza a temperatura do forno para 150 graus.)

Leve ao forno por 25 minutos até dourar. Deixe esfriar um pouco antes de servir.

Anúncios

Cariocas: vamos participar do filme sobre Belgrado?

Republicado do blog Bem Vindo à Sérvia, do amigo Thiago Ferreira

Hoje, em pleno Dia das Mães, tenho o prazer de publicar aqui no Bem-vindo à Sérvia em primeira mão uma notícia capaz de levar todos os servo-brasileiros a loucura: a comunidade servo-brasileira poderá aparecer no filme Belgrade, de Boris Malagurski! É isso mesmo que você leu: nós, servo-brasileiros, poderemos aparecer no mais novo filme de Boris Malagurski, que será lançado ainda este ano – basta fazermos tudo certinho! Calma, vou explicar, vamos por partes.

O diretor sérvio Boris Malagurski nasceu e foi criado na cidade de Subotica e, em 2005, se mudou para o Canadá, onde abriu a Malagurski Cinema e dirigiu e produziu dois aclamados filmes/documentários: “Kosovo – Can you imagine?” (2009) e “Weight of Chains” (2010). O primeiro trata sobre a dura realidade de terror e de violação dos direitos humanos sofridos pelos sérvios que habitam a província do Kosovo; já o segundo retrata as verdadeiras razões pelas quais a Iugoslávia se dividiu, que são bem diferentes do que a mídia mostra. Em seu atual projeto, Belgrade, Boris Malagurski deseja captar toda a magia de Belgrado, a espontaneidade de seu povo e as circunstâncias históricas que moldaram a capital sérvia e transmiti-las para a tela do cinema de forma a atingir um público ocidental, que está cansado de destinos típicos da Europa, como Londres e Paris, e anseia por conhecer um lugar novo. Um detalhe interessante é que este é o primeiro documentário sobre Belgrado desde a década de 80, quando foi feito um vídeo promocional de Belgrado porque a cidade estava se candidatando para sediar as Olimpíadas de 1992! Assistindo o trailer abaixo, já podemos ver um pouquinho do filme, que com certeza vai ser um sucesso!
Acontece que, há algumas semanas, o colega serbófilo Pedro Aguiar (do blog Yugoboy) enviou a Boris um longo e-mail explicando tudo sobre a comunidade servo-brasileira no Brasil. Dentre outras coisas, citou encontros como o churrasco iugoslavo na praia de Copacabana e como aqui tem muitos brasileiros que se apaixonaram pela Sérvia e por Belgrado especificamente. No final do e-mail, Pedro se oferece para fazer uma contribuição ao filme, que consistiria na filmagem de uma cena em que nós, Belgrade lovers, mostraríamos nosso amor por Belgrado, para mostrar o quão longe essa paixão pela “cidade branca” pode chegar.

E não é que Boris Malagurski respondeu e adorou a ideia? Ele falou que sempre quis visitar o Brasil, que adora o país e que fica muito feliz  de saber que muitos brasileiros amam a terra, a língua e a cultura dele. Disse que, se pudermos fazer um vídeo de brasileiros mostrando seu amor por Belgrado para ele inserir em seu filme sobre a cidade, seria “ABSOLUTAMENTE FANTÁSTICO”! Por incrível que pareça, ele se mostrou realmente empolgado com a ideia!

Após nos serem passados os requisitos de formato de vídeo e som e nos ser dado um prazo, agora nos resta juntar toda a galera servo-brasileira, gravar o material e enviar para Boris Malagurski até meados de junho, porque o fase de produção do filme está prevista para terminar em julho! Tudo ainda está em fase de planejamento, mas já conseguimos o equipamento necessário e logo vamos convocar todos para o dia da gravação, que provavelmente será na primeira semana de junho! Preparem-se!

Aceitamos sugestões sobre o que gravar! Até o momento pensamos em gravar alguns depoimentos de pessoas que já visitaram Belgrado no terraço do Botafogo Praia Shopping (com vista para o Pão de Açúcar), uma cena de um encontro com comida sérvia (talvez de outro churrasco típico) e uma cena com todo mundo na praia com as bandeiras da Sérvia e do Brasil gritando “Volimo Beograd!” ou algo do tipo. Temos que mandar para ele um material bruto com duração máxima de 1 hora para ser editado.

A aparição no filme não é garantida, vai depender da qualidade do material que mandarmos. Mas, com a colaboração e o empenho de todos tenho certeza que Malagurski vai se surpreender ainda mais ao ver as cenas que gravaremos! É a nossa chance de aparecer em uma superprodução cinematográfica que será exibida em dezenas de países sobre a cidade que tanto amamos! É ou não é uma notícia enlouquecedora?

Para mais detalhes, visite:
Site oficial do filme Belgrade – http://www.belgradefilm.com/index.html
Site oficial de Boris Malagurski – http://www.malagurski.com/

Assista também ao vídeo abaixo, que mostra um pouco do primeiro vídeo promocional feito para Belgrado.

Vinheta da Mostra de Cine pós-Yu em SP

A belíssima vinheta é também uma melancólica metáfora que reflete o que foi feito do sonho iugoslavo. Linda e triste ao mesmo tempo.

Mostra de Cinema Pós-Iugoslavo em SP

Pena que é em São Paulo. É assim que consigo resumir a sensação de ver a programação fantástica da Mostra de Cinema Pós-Iugoslavo, que começa amanhã (19/4), e que não poderei ver. Os 20 filmes serão exibidos apenas na filial paulistana da Caixa Cultural, na Praça da Sé, e infelizmente não virão para o Rio de Janeiro. É até irônico, já que foi esse mesmo centro cultural que promoveu a censura ao A Serbian Film, no ano passado.

E, além das projeções, haverá mini-cursos, palestras e oficinas com especialistas em cinema e questões dos Bálcãs. Uma delas será da antropóloga Andrea Carolina Schvartz Peres, que já entrevistei, provavelmente a pesquisadora brasileira mais dedicada à realidade balcânica pós-Yu (e também ao Jornalismo Internacional, que é a minha área).

O cineasta sérvio Zoran Đorđević, radicado em Caraguatatuba, também estará presente.

Na programação de filmes, está o maravilhoso Cinema Komunisto, de que já falei aqui no blog, além de jóias da cinematografia ex-Yu, como Karaula (2006, Rajko Grljić) – um filme FANTÁSTICO que sempre passo aqui em casa para os meus amigos – e os já clássicos Underground (1995, Emir Kusturica) e Antes da Chuva (1994, Milčo Mančevski).

É uma pena que não foi incluído o magnífico O Peso das Correntes (2009, Boris Malagurski), mas fica para uma próxima edição do evento.

Esta é uma oportunidade raríssima de conhecer mais a fundo as particularidades do “Oeste dos Bálcãs” (como se convencionou chamar a região da ex-Iugoslávia mais a Albânia, e excluindo a Eslovênia), que são muitas. A organização e a curadoria, a cargo de Raphael Fonseca e Sander Maurano, estão de parabéns. Pena que não virá para o Rio também.

A mostra vai até o domingo, dia 29/4, e a entrada é franca. O site oficial do evento é este: http://www.cinemaposiugoslavo.com .

Os Mais Belos Contos de Fadas Iugoslavos

Os Mais Belos Contos de Fadas Iugoslavos

capa do livro

Esse livro faz parte da coleção “Os Mais Belos Contos de Fadas…” de várias origens culturais, que a editora Vecchi publicou nos anos 50 no Brasil. Quando eu era criança, era comum encontrar vários deles em sebos e banquinhas de livros, dessas que ficam nas principais praças do Rio de Janeiro. Cheguei a ter as edições dos contos russos e italianos. Na época, até posso ter visto a dos iugoslavos, mas ainda não tinha nenhuma ligação afetiva com a região.

Já tentei comprar esse livro pela Estante Virtual, a Traça, sebos avulsos e vários outros, mas não encontro. Consta como esgotado em todos. Se alguém por acaso encontrar pra vender, por favor me avise, que eu pago.

O ano de edição deste, especificamente, é 1959.

Choques no Kosovo levam a retirada de policiais albaneses da “fronteira”

A tentativa de policiais albano-kosovares de tomarem o controle nos postos de fiscalização no limite entre a província rebelde do Kosovo e o território de fato governado pela Sérvia, na madrugada de terça-feira (25/7), gerou uma pequena crise na região e terminou hoje (27/7) com a retirada das “forças especiais” kosovares (apoiadas pela OTAN).

A ofensiva partiu do governo albano-kosovar ao enviar policiais e soldados de suas “forças especiais” (criada em 2009) para ocupar os postos de controle em Brnjak e Jarinje, dois vilarejos no norte da província, junto à linha de demarcação com o território sob soberania sérvia. A tentativa foi frustrada por moradores sérvios, com apoio da EULEX (tropas da União Européia), que impediram a ocupação. Na tarde de terça-feira, os dois lados entraram choque, com policiais e moradores saindo feridos. Tropas da OTAN foram mobilizadas para o local para impedir novos enfrentamentos.

Buehler, comandante da OTAN, com o negociador sérvio

Buehler, comandante da OTAN, com o negociador sérvio

Há poucos dias, o governo albano-kosovar, em Priština, baixou uma lei para restringir a entrada de produtos de origem sérvia no Kosovo. Mas a lei (assim como a própria “independência”) não é aceita pelos sérvios kosovares nem pela União Européia.

O norte do Kosovo tem população de maioria sérvia e é separado do sul, de maioria albanesa, pelo curso do rio Ibar. O ponto principal dessa divisão é a cidade de Kosovska Mitrovica (pron. “mitrovitsa”), cortada ao meio pelo rio e repartida entre o norte sérvio e o sul albanês. A travessia entre um lado e outro da cidade é livre.

O governo em Belgrado enviou uma missão de negociadores que conseguiu convencer o comando da OTAN, sob o alemão Erhard Buehler, a fazer os policiais kosovares a se retirarem. No entanto, duas horas depois da retirada, tentaram novamente apoderar-se de um dos postos de fronteira. O presidente da Sérvia, Boris Tadić, já avisou que nem cogita usar a força.

“Apelo a todos que mantenham a calma e não respondam a provocações”, disse Tadić, segundo a imprensa local. “Temos de continuar o diálogo e restaurar a paz. Garantir a paz é o mais difícil. é muito mais fácil afogar-se de novo em guerra e violência”.

A Sérvia pediu uma reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU para tratar do caso.

Eu passei por um desses postos de controle em fevereiro de 2009, quando voltava do Kosovo, onde realizei uma reportagem para a revista Carta Capital. Na ocasião, não tive problemas. Só os guardas que demoraram com o meu passaporte mais que com todos os outros, porque foram checar se o Brasil reconhecia ou não a ilegítima “República do Kosovo”.

A Serbian Film – a polêmica

Há um filme circulando há pouco mais de um ano ano em festivais ao redor do mundo que vem causando polêmica por onde passa. Já foi censurado, cortado, mutilado, proibido, banido e elogiado. É de terror. É pornô. E é sérvio.

Chama-se A Serbian film (nada podia ser mais simples, nada podia ser mais óbvio, nada podia ser mais curioso) e é dirigido por Srđan Spasojević (“sârdjã spassoiêvitsch”), um cineasta de 35 anos em seu primeiro trabalho. Ele cita como suas grandes influências diretores como David Cronenberg, John Carpenter e Roman Polanski, todos que deram contribuições ao gênero terror, cada um à sua maneira.

Na distribuição brasileira (da Petrini Filmes), está ganhando o péssimo subtítulo de “Terror Sem Limites” – não sei por que não bastava traduzir como “Um filme sérvio”. O título original é simplesmente Srpski film (sempre com F minúsculo) e o cartaz mostra o contorno do mapa da Sérvia escorrendo sangue sobre um fundo branco. Minimalista e cruel.

Quem já viu o filme (acabou de passar no novo Festival Lume, em São Luís do Maranhão) descreveu como “um dos filmes mais tensos que já vi na vida, senão O mais”; “sempre achei que era lenda urbana, mas qdo vi esse troço…”; disseram que “dá náusea, indignação, asco… mas é bom”.

Ainda não vi, mas será preciso pra conferir se há mesmo razão na controvérsia. Não parece ser do nível do light francês “Irreversível” (tem que ser muito carola-da-Tijuca pra chocar com esse filme, que não tem absolutamente nada de mais), mas sim do sueco “Ett hål i mitt hjärta”, ou “Um Vazio no Meu Coração”, de Lukas Moodysson. Em todas as sessões, mais da metade da platéia saía antes do fim.

Isso tudo, claro, além do simples fato de ser um filme sérvio.

 

O Grupo Estação vai exibir A Serbian Film em sessão extraordinária no Cine Odeon, sábado 23/7 às 22h (Rio de Janeiro). Estarei lá.


Publicado no G1

Censurado na Europa, filme sérvio tem sessão proibida em evento no Rio

A Caixa Econômica Federal proibiu a exibição do filme sérvio “A Serbian Film – Terror sem limites”, do diretor Srdjan Spasojevic, que seria exibido no próximo sábado (23), como parte do festival RioFan, no espaço cultural do banco no Rio de Janeiro.

O longa-metragem de terror já gerou polêmica na Europa, tendo cenas censuradas na Espanha, Reino Unido e Noruega por supostamente mostrar pedofilia e necrofilia.

A organização do RioFan anunciou nesta quinta-feira (21), por meio de nota oficial, que a sessão será transferida para o cinema Odeon, no Centro do Rio, no próprio sábado, às 22h.

“Lamentamos profundamente a decisão. (…) ‘A Serbian Film’ é, sem sombra de dúvida, um dos filmes mais polêmicos de todos os tempos, e não sem razão: é uma obra que questiona os limites da representação cinematográfica e que lida com situações e temas absolutamente condenáveis”, diz a nota do RioFan, que, no entanto, nega que o longa contenha imagens explícitas de pedofilia ou necrofilia.

“Não há, sob qualquer ótica possível, apologia à violência sexual contra mulheres ou menores de idade no filme. São atos absolutamente grotescos e tratados como tal por uma obra que se insere numa tradição de filmes “extremos” – um subgênero do cinema de horror que lida com questões repulsivas de forma radical, com o intuito de buscar o choque e a reflexão nos espectadores”, diz ainda a nota divulgada pelos organizadores do evento, que classificam como uma “surpresa” o veto por parte do banco.