Here we go again

Amanhã parto para minha terceira viagem aos Bálcãs. Será a mais curta (em duração) e ao mesmo tempo mais longa (em trechos percorridos) das minhas idas à região: mais de 2.200 km em 31 dias, tudo percorrido por terra, num giro que começa e termina no mesmo lugar.

O itinerário inclui sete países (Croácia, Bósnia, Montenegro, Albânia, Macedônia, Bulgária e Sérvia) e 14 cidades (Zagreb, Sarajevo, Jajce, Srebrenica, Mostar, Dubrovnik, Herceg Novi, Podgorica, Tirana, Ohrid, Skoplje, Sófia, Niš e Belgrado).

 

Destas, só estive até hoje em Belgrado, Niš e Zagreb, sendo que nesta última passei apenas algumas horas. Agora vou conhecer lugares que estão no meu imaginário há tempos, como o ponto exato do assassinato de Francisco Fernando por Gavrilo Princip, em 1914, o lado de Ohrid, os bunkers de Enver Hoxha e o endereço onde ficava o antigo mausoléu de Todor Jivkov.

Será uma viagem para completar um mapa que está até agora cheio de “buracos”. Por isso, o roteiro vai a pontas díspares, coisa que só se pode fazer com baixo orçamento e abertura ao imprevisível. O segredo da viagem de mochilão é este: mochila vazia na ida, porque ela VAI encher na volta; informações detalhadas sobre cada destino (o que não significa roteiro fechado, apenas capacidade ampliada de decisão); recursos para poder ter dinheiro se necessário; e espírito aberto para o que encontrar pela frente. Em resumo: ascese material e hedonismo mental, e acabou.

Não sei se será possível postar todo o trajeto aqui no Yugoboy, mas agora tenho um tablet e um pouco mais de acessibilidade remota a este blog. Talvez não seja possível escrever tanto quanto nas duas primeiras, mas pelo menos haverá mais fotos.

Seja o que Tito quiser.

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Cariocas: vamos participar do filme sobre Belgrado?

Republicado do blog Bem Vindo à Sérvia, do amigo Thiago Ferreira

Hoje, em pleno Dia das Mães, tenho o prazer de publicar aqui no Bem-vindo à Sérvia em primeira mão uma notícia capaz de levar todos os servo-brasileiros a loucura: a comunidade servo-brasileira poderá aparecer no filme Belgrade, de Boris Malagurski! É isso mesmo que você leu: nós, servo-brasileiros, poderemos aparecer no mais novo filme de Boris Malagurski, que será lançado ainda este ano – basta fazermos tudo certinho! Calma, vou explicar, vamos por partes.

O diretor sérvio Boris Malagurski nasceu e foi criado na cidade de Subotica e, em 2005, se mudou para o Canadá, onde abriu a Malagurski Cinema e dirigiu e produziu dois aclamados filmes/documentários: “Kosovo – Can you imagine?” (2009) e “Weight of Chains” (2010). O primeiro trata sobre a dura realidade de terror e de violação dos direitos humanos sofridos pelos sérvios que habitam a província do Kosovo; já o segundo retrata as verdadeiras razões pelas quais a Iugoslávia se dividiu, que são bem diferentes do que a mídia mostra. Em seu atual projeto, Belgrade, Boris Malagurski deseja captar toda a magia de Belgrado, a espontaneidade de seu povo e as circunstâncias históricas que moldaram a capital sérvia e transmiti-las para a tela do cinema de forma a atingir um público ocidental, que está cansado de destinos típicos da Europa, como Londres e Paris, e anseia por conhecer um lugar novo. Um detalhe interessante é que este é o primeiro documentário sobre Belgrado desde a década de 80, quando foi feito um vídeo promocional de Belgrado porque a cidade estava se candidatando para sediar as Olimpíadas de 1992! Assistindo o trailer abaixo, já podemos ver um pouquinho do filme, que com certeza vai ser um sucesso!
Acontece que, há algumas semanas, o colega serbófilo Pedro Aguiar (do blog Yugoboy) enviou a Boris um longo e-mail explicando tudo sobre a comunidade servo-brasileira no Brasil. Dentre outras coisas, citou encontros como o churrasco iugoslavo na praia de Copacabana e como aqui tem muitos brasileiros que se apaixonaram pela Sérvia e por Belgrado especificamente. No final do e-mail, Pedro se oferece para fazer uma contribuição ao filme, que consistiria na filmagem de uma cena em que nós, Belgrade lovers, mostraríamos nosso amor por Belgrado, para mostrar o quão longe essa paixão pela “cidade branca” pode chegar.

E não é que Boris Malagurski respondeu e adorou a ideia? Ele falou que sempre quis visitar o Brasil, que adora o país e que fica muito feliz  de saber que muitos brasileiros amam a terra, a língua e a cultura dele. Disse que, se pudermos fazer um vídeo de brasileiros mostrando seu amor por Belgrado para ele inserir em seu filme sobre a cidade, seria “ABSOLUTAMENTE FANTÁSTICO”! Por incrível que pareça, ele se mostrou realmente empolgado com a ideia!

Após nos serem passados os requisitos de formato de vídeo e som e nos ser dado um prazo, agora nos resta juntar toda a galera servo-brasileira, gravar o material e enviar para Boris Malagurski até meados de junho, porque o fase de produção do filme está prevista para terminar em julho! Tudo ainda está em fase de planejamento, mas já conseguimos o equipamento necessário e logo vamos convocar todos para o dia da gravação, que provavelmente será na primeira semana de junho! Preparem-se!

Aceitamos sugestões sobre o que gravar! Até o momento pensamos em gravar alguns depoimentos de pessoas que já visitaram Belgrado no terraço do Botafogo Praia Shopping (com vista para o Pão de Açúcar), uma cena de um encontro com comida sérvia (talvez de outro churrasco típico) e uma cena com todo mundo na praia com as bandeiras da Sérvia e do Brasil gritando “Volimo Beograd!” ou algo do tipo. Temos que mandar para ele um material bruto com duração máxima de 1 hora para ser editado.

A aparição no filme não é garantida, vai depender da qualidade do material que mandarmos. Mas, com a colaboração e o empenho de todos tenho certeza que Malagurski vai se surpreender ainda mais ao ver as cenas que gravaremos! É a nossa chance de aparecer em uma superprodução cinematográfica que será exibida em dezenas de países sobre a cidade que tanto amamos! É ou não é uma notícia enlouquecedora?

Para mais detalhes, visite:
Site oficial do filme Belgrade – http://www.belgradefilm.com/index.html
Site oficial de Boris Malagurski – http://www.malagurski.com/

Assista também ao vídeo abaixo, que mostra um pouco do primeiro vídeo promocional feito para Belgrado.

Restaurantes sérvios e dos Bálcãs em São Paulo

Matéria minha publicada no website Opera Mundi, em http://www.operamundi.com.br/dicas_ver.php?idConteudo=89

A singela cozinha do Leste Europeu ao nosso alcance

As cozinhas típicas de alguns países são bem conhecidas no Brasil. As pessoas têm noção do gosto, aparência e ingredientes da culinária italiana, francesa, mexicana e japonesa, por exemplo. Mas quem tem ideia de como é a comida da Sérvia? Ou da Bulgária? Ou da Romênia, da Bósnia ou da Macedônia?

Em São Paulo, há cinco endereços onde se pode provar os sabores dos Bálcãs. O mais recente, o bar do Caffe Sérvia, na Vila Madalena, um dos bairros mais boêmios da cidade, será inaugurado neste sábado (20) a partir das 17h, em evento aberto ao público.

Num espaço que simula uma kafana (cantina típica sérvia), os chefs Luiz Emanuel, brasileiro, e Danijel Mirkov, sérvio, montaram um cardápio que inclui alguns dos pratos mais comuns nas mesas daquela parte do Leste Europeu, como sarma (repolho azedo recheado com arroz e carne, como mostra a foto), ćufta (um bolinho de carne servido como hambúrguer) e mussaka (originalmente, um prato grego à base de berinjela). A sarma, prato mais barato, custa 19 reais. Uma refeição completa – com salada, prato principal, sobremesa e bebida – custa em torno de 50 reais.

A cozinha fica a cargo do chef Pedro de Carvalho, que também prepara os mais sofisticados šaran (pronuncia-se “charã”, que significa carpa, servida com trigo e legumes), o gulaš (diz-se “gúlach”, ensopado de carne típico da Hungria) e a piletina (que, em servo-croata, quer dizer simplesmente “frango”), servida com batatas e compota de pimentão – mais conhecido como ajvar. Como entrada, a melhor pedida é a salada grega, que nos Bálcãs se chama šopska e inclui tomate, pimentão, cebola, azeitonas e queijo feta. Tudo é comida do dia-a-dia nas mesas das famílias balcânicas.

“O Danijel me passou as receitas que eram da avó dele”, conta Pedro ao Opera Mundi. “Os cozinheiros, quando veem, ficam impressionados com a simplicidade dos pratos. Mas explicamos que a comida de lá é assim mesmo: poucos ingredientes, mas muitas variações”.

De fato, a comida dos Bálcãs usa e abusa de legumes como berinjela, pepino, pimentões e repolho e, por influência otomana, inclui muito iogurte, coalhada e queijo de cabra. Nas regiões que foram dominadas por muçulmanos, a carne de porco se tornou base da alimentação – os turcos confiscavam todo o rebanho e deixavam os porcos, por serem animais proibidos pelo Alcorão.

Pioneiro

Outra opção de cardápio tradicional é o Restaurante Beograd (o nome original de Belgrado, capital da Sérvia), o primeiro do tipo no Brasil, que já funciona há 18 anos em São Judas (zona sul) e serve comida típica sérvia apenas nos fins de semana (de segunda a sexta-feira, é bufê regular brasileiro). Os clientes são recebidos pelos donos, a senhora Erzsébet Rigo e seu filho Goran Rigo, que fazem questão de explicar cada prato a quem não conhece.

Os destaques são os čevapčići (semelhantes a pequenas kaftas árabes) e o refogado de feijão branco, o prebranac (pronunciado “prebrânats”). Lá também se serve a punjena paprika (“púnhena páprica”, ou pimentão recheado), algo que, de tão comum, seria equivalente ao feijão com arroz no Brasil.

Entre as sobremesas, destacam-se a makovnjača – um rocambole recheado com sementes de papoula, um ingrediente muito difícil de encontrar por aqui – e a krempita, uma torta de creme e chocolate que lembra a torta suíça.

Salgadinhos

Para quem preferir um lanche ou café da manhã, existe ainda a Casa Búlgara, uma pâtisserie criada por Lona Levi, que aos 81 anos ainda comanda a cozinha e o caixa do lugar, diariamente. Judia nascida na Bulgária, ela emigrou primeiro para Israel, quando se implantou o socialismo em seu país natal, e depois para o Brasil, após a Guerra do Yom Kippur (1973). Destes países, trouxe a mistura de culinária do Leste Europeu com o Oriente Médio, o que resulta em muito queijo de cabra, coalhada e mais berinjela.

Mas o carro-chefe da casa ainda é o burek – ou “bureka”, como diz dona Lona –, um salgado típico da Bósnia, mas também comum em países como a Sérvia, a Bulgária e a Macedônia. A massa é recheada com várias opções, como espinafre, frango, berinjela e um queijo de fabricação caseira. O burek, que custa 4,50 reais, fez sucesso e a lanchonete já tem três lojas (Bom Retiro, Higienópolis e Morumbi), mesmo sem usar banha de porco na massa, como manda a receita original.