Confirmado: estou indo de volta aos Bálcãs!

Com duas semanas de atraso, dou a notícia oficial aqui no blog: estou indo para os Bálcãs pela terceira vez! Em agosto deste ano, parto de férias para a viagem mais curta e ao mesmo tempo mais abrangente que já fiz pela região do Sudeste Europeu. Serão apenas 30 dias (contra 50 da primeira vez e 90 da segunda), mas com um roteiro que inclui sete países (contra quatro em 2006 e apenas três em 2008-2009). A boa notícia é que desta vez pegarei o final do verão, quando todos sempre me disseram que é uma ótima época para estar na região. Já não farão aqueles 43 graus centígrados na Praça da República em Belgrado, mas ainda vai dar para pegar uma prainha em Dubrovnik, Budva ou Herceg Novi. Só é um pouco chato porque o Adriático não tem onda… :o)

Países do Leste que visitei em 2006

Países do Leste que visitei em 2006

Mas estou extremamente empolgado, e esperando finalmente completar o mapa que me falta nos Bálcãs. Na primeira viagem, entre julho e setembro de 2006, pude descobrir, com o espanto do desconhecido, uma região fascinante que guarda surpresas a cada esquina (ou a cada curva de rio), conheci um pouco da história da Romênia e da ex-Iugoslávia, passeei (graças ao Guile) na Grécia e na Turquia e experimentei a paixão à primeira vista por uma cidade: Belgrado. Saí com a vontade esperançosa de morar lá um dia.

Países do Leste que visitei em 2008-2009

Países do Leste que visitei em 2008-2009

Na segunda viagem, entre dezembro de 2008 e março de 2009, fui para a Sérvia especificamente, com a missão auto-impingida de experimentar o inverno rigoroso, passar mais tempo, conhecer a vida sérvia de fato, seus aspectos culturais, culinários, econômicos, de costumes e valores, para ter subsídios para decidir se de fato é um lugar em que eu moraria. Constatei que sim, mas apenas metade do ano, enquanto a temperatura não baixar de 15 graus positivos. Mas estive no Kosovo e na Eslovênia, além de uma passagem-relâmpago por Zagreb (capital da Croácia), conhecendo dois extremos da ex-Iugoslávia: o lado mais rico, que já faz parte da União Européia, e a porção mais pobre, arrasada por uma guerra assimétrica em 1998-1999 e arrancada da Sérvia pela garra imperialista do Ocidente, com seus braços militar (OTAN), político (OSCE) e econômico (os euros e dólares que jorram para destinos etnicamente selecionados).

Países do Leste que visitarei em 2012

Países do Leste que visitarei em 2012

Desta vez, entre agosto e setembro de 2012, vou aos outros cinco países que faltam para que eu possa ter visão completa da região: Bósnia (que, até 2009, ainda exigia visto para brasileiros), Montenegro (meu destino inicial de 2006, abortado quando me vi envolvido por Belgrado), Macedônia (o berço da Igreja Ortodoxa), Albânia (certamente a parte mais “exótica” do trajeto) e, finalmente, Bulgária (que estava nos planos das duas viagens anteriores e teve de ser cancelada duas vezes, e é a menina dos meus olhos nesta terceira ida, pela qual a ansiedade é maior). Além disso, claro, vou “bater ponto” em Belgrado por uma semana pra matar saudades – das pessoas, de lugares, da comida – e aproveitar para conhecer de verdade Zagreb e o tão falado litoral croata (pelo menos a cidade de Dubrovnik, antiga Ragusa).

Ao final, poderei dizer, com todas as letras, que conheço cada um dos países dos Bálcãs.

Meu roteiro de viagem em 2012

Meu roteiro de viagem em 2012

Planejei um roteiro circular (mapa acima), para que pudesse começar e terminar em qualquer cidade. O ponto escolhido foi Zagreb, que oferecia as opções mais baratas de vôos para conexão com os grandes hubs europeus. A companhia aérea que tinha as condições mais vantajosas foi a AirFrance (em que posso comutar milhas para a Gol e depois viajar internamente no Brasil). A Iberia era a que tinha o vôo mais barato, mas incluindo uma “conexão” de simplesmente 17 HORAS em Madri. Internamente, entre cada cidade, pretendo viajar de trem – abrindo exceção pra vôos de baixo custo, se houver, e o esquema de vans que é muito comum nos Bálcãs para trajetos curtos, como entre Herceg Novi e Budva, ou entre Ohrid e Skoplje. Devo ter duas companhias nesta rota, ainda não confirmadas. E o plano inclui alugar uma casa de veraneio em Montenegro, que é extremamente barato (é como se a Região dos Lagos fosse um país independente, com capital em Araruama).

Estou com expectativas em alta para essas férias – o que poderia parecer arriscado a princípio, não fosse o fato de já conhecer o “espírito” da região. Bulgária e Albânia devem ser as grandes novidades, mas também estou ansioso para finalmente conhecer Sarajevo e o lago de Ohrid. Além disso, será uma boa oportunidade de praticar mais meu servo-croata (com todos os dialetos e sotaques do idioma) e ainda aprender um pouquinho de albanês e búlgaro.

É isso. No dia 9 de agosto embarco do Rio de Janeiro para minha terceira ida aos Bálcãs – um pedacinho do  mundo que já faz parte da minha vida. E, apesar de estar decidido a não levar laptop desta vez, pretendo colocar pelo menos os highlights (ou “melhores momentos”) da viagem aqui no Yugoboy. O maior gosto de um balcanófilo é poder levar seus amigos consigo à região mais legal do mundo.

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“Visitem a Sérvia: ela é a Europa fora da União Européia”

Relato de mais uma turista brasileira na Sérvia, postado no fórum Mochileiros.com, que esteve lá em setembro do ano passado. Não concordo com tudo (como assim “Belgrado não agrada à primeira vista”?! e compará-la com São Paulo é heresia!), mas fica mais forte a recomendação final que ela faz para que conheçam a Sérvia. Detalhe: ir de trem é uma vantagem, não desvantagem, para quem quer conhecer o país de verdade.

Re: Sérvia – Perguntas e Respostas

Mensagempor jacc » 23 Out 2010, 00:05

Estive na Sérvia em setembro último, valeu muito a pena. Ainda precisa de visto porque o acordo internacional entre Brasil e a Sérvia ainda depende de ratificação pelos respectivos parlamentos. É simples, porém, conseguir o visto. Só mandar o passaporte e os comprovantes exigidos para Brasília e eles devolvem com o visto. O único problema é que o visto é bem caro, gasta-se mais de 200 reais com isto.

Eu estava em Budapeste e tinha pensado em ir a Belgrado de trem, mas são 7 horas e a travessia da fronteira não é automática como no interior da União Européia. A Sérvia não a integra e por isto há parada para controle de passaportes, etc. Decidi ir de avião, passagem barata.

Quem chega a Belgrado de avião descobre que o aeroporto é bastante fora da cidade e há duas opções: negociar com os espertos taxistas ou pegar o ônibus 72 que te deixa no centro da cidade. O ônibus demora um pouco, mas o preço é quase de graça.

Belgrado não agrada à primeira vista. Impossível comparar com a beleza fácil de Praga, Viena ou Budapeste. É meio como São Paulo, assim, cinzenta, como já disseram aqui, mas, assim como a capital paulista, tem inúmeras atrações e é uma cidade interessantíssima, além de ser fácil e prático caminhar por ela.

Os restaurantes são ótimos e o preço é muito acessível. Como pontos turísticos da cidade recomendo ir andando até a Igreja de S. Sava (a segunda maior igreja ortodoxa do mundo, em construção), visitar outras igrejas ortodoxas, como a catedral, passar o fim de tarde no Castelo, com por do sol muito bonito. Vale muito a pena tirar uma manhã para ir até o Túmulo do Marechal Tito, fundador da Iugoslávia e no caminho ver prédios bombardeados pela OTAN em 1999 (Guerra do Kosovo). A noite é animadíssima e a rua de pedestres está sempre cheia de gente, sendo excelente a qualquer hora do dia ou da noite.

Recomendo muito ir até o bairro de Zemun (do outro lado do Rio Sava), parte bucólica de um lugar que já foi uma cidade separada e com forte influência austríaca.

Quem se dispuser aprender o alfabeto cirílico vai conseguir se orientar melhor com placas de ruas, ônibus, etc. O alfabeto é fácil, em alguns dias com treinos é possível já ler nele e vale a pena o esforço.

Enfim: visitem a Sérvia. Ela é a Europa fora da União Européia, com uma cultura riquíssima, culinária inesquecível, preços módicos e um povo muito receptivo.

Texto meu publicado na B92

Um texto que escrevi (em português) como resposta a um post num fórum de discussão de mochileiros, há 3 anos, comentando minha primeira viagem à Sérvia (2006), foi traduzido para o servo-croata pelo moderador da comunidade Srbija-Brazil no Facebook e a rádio/TV/portal sérvia B92 republicou ontem em seu site, entre outros comentários de turistas brasileiros. Estão dando ênfase a “Como os Turistas Brasileiros vêem a Sérvia”, como diz o título, porque, muito em breve, a exigência do visto da Sérvia para brasileiros (e vice-versa) deve ser abolida (quero falar mais disso aqui em outro post). Achei muito curioso, porque nesse texto (em reposta ao Márcio Santoro, que estivera em Belgrado e também ficou maravilhado), eu comento como os sérvios desconhecem o Brasil e os brasileiros desconhecem a Sérvia, mas ambos costumam se apaixonar pelo país um do outro.

Copio abaixo como ficou em servo-croata, e depois vou tentar catar o original em português. Mas o teor é muito do que já escrevi aqui no Yugoboy em posts anteriores.

Clique aqui para ter acesso ao original.

Kako turisti iz Brazila vide Srbiju

Marcio, veoma mi se dopalo tvoje svedočanstvo o proputovanju kroz Srbiju. Bio sam tamo u avgustu 2006. Od tada skupljam sve zajedničko što može da poveže Brazil i Srbiju – i mogu ti reći da sam pronašao dosta toga.

Pronašao sam više Srba koji ovde žive, kao i Brazilce koji su bili u Srbiji. Postoji jaka veza, pogotovo, između Beograda i Kuritibe uključujući među-univerzitetski sporazum ta dva grada. Poznajem, takođe, jednu devojku odavde (koja je sada u Beogradu), drugu iz São Paula koja snima dokumentarac o odnosima Brazil-Srbija, i jednog Beograđanina koji ima radio-emisiju o brazilskoj muzici na radiju Beograd 202 itd.

Ja sam se zaljubio u Beograd na prvi pogled i sada pravim planove da tamo živim. Idem u Beograd, po drugi put u decembru 2008, ovaj put da bih ostao duže, bolje upoznao zemlju, na svojoj koži osetio zimu i video da li stvarno mogu da se adaptiram.

Slažem se sa MNOGIM tvojim zapažanjima – mišljenja koja si tamo čuo veoma su slična onome što sam i sam čuo. Meni je pratilac bio Srbin po imenu Srboslav koji, kao i Dragana, nosi u sebi određenu ozlojeđenost ali je vesele prirode i veoma gostoljubiv. Imam utisak da je srpski narod toliko propatio da su postali srećni upravo da bi prevazišli traume.

Međutim, dozvoli da se ne složim sa tobom u nekim detaljima. Ti si opisao grad u nekim sivkastim bojama, a to je daleko od pravog stanja stvari. Beograd je živopisan grad, veseo, zabavan. Beograd je jedan “indie” grad: pogađa raznovrsne ukuse, visokih prohteva, dobar ukus, dobra muzika, odlična hrana. U bilo koji lokal da uđes, naići ćes na dobru muziku, lokalnu ili međunarodnu i na žurku na svakom ćošku, svake večeri. Grad se već oporavio od kriminalnog NATO bombardovanja i poseduje ogromne mogućnosti razvoja kao turistička destinacija za mlade. Svakog meseca se otvaraju novi hosteli a beogradske noći su divne. Čak i radio stanice namenjene masama sviraju alternativni rok, a ne pop mainstream.

Ljudi pričaju o Pragu, ali Beograd je jedna destinacija MNOGO, ALI MNOOOGO interesantnija, bogato zabavna, sa mnogo uzbudljivih stvari koje jedan brazilski “backpaker” može da uraditi da bi se zabavio.

Ah, da: već dve godine uzimam časove srpsko-hrvatskog kod jednog Srbina ovde u Riju :o)

Srdačan pozdrav
(ili, kako kažu Srbi “pozz”, skraćenica za ‘pozdrav’)
Pedro

Como os sérvios chamam lugares famosos no Rio

Extraído do site de uma agência de viagens que oferece pacotes pro nosso “Karnival“:

  • Glava šećera – Pão de Açúcar (literalmente, “Cabeça de Açúcar“).
  • Hrista Spasitelja – Cristo Redentor
  • Korkovado – Corcovado (ah, esse é fácil)
  • Gradsko pozorište – Theatro Municipal
  • Kopakabana – Copacabana (mole)
  • Tižuka – Tijuca (fica parecendo japonês, né?)
  • Sambodrom – Sambódromo (seria só mais um O, mas a tônica é no drom, não no “bó”)
  • Laranžejraš – se fosse escrito Laranjeiras, a pronúncia sairia como “laranheirás